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As Manias Nossas de Cada Dia

Psic. Dra. Ana Lucia Ivatiuk (CRP 08/7292-8)

Levante a mão quem nunca parou para fazer uma checagem em algum dos inúmeros comportamentos que emitimos durante o dia: alguns não saem de casa sem antes conferir se a fechadura está de fato trancada; outros precisam organizar os materiais na escrivaninha sempre de um mesmo jeito antes de encerrar ou de iniciar uma atividade; ou, então, aqueles que não almoçam se o mesmo local da mesa não estiver disponível; tem também aqueles que precisam estar com as roupas todas separadas por cor ou por ordem que foi guardada em seu armário. Alguns não conseguem cozinhar se todos os ingredientes não estiverem organizados como propõe uma receita.

Uma coisa é fato: todos os indivíduos têm alguma mania em algum momento da sua vida. Algumas delas podem ser temporárias e muito relacionadas a algum episódio que se vive, e outras podem acompanhar por um longo período de tempo e ainda assim ser apenas uma mania. Em outros casos, a mania pode estar associada como uma estratégia necessária por um período de tempo para cumprir uma determinada atividade. E por este comportamento ser altamente reforçado, acaba sendo incorporado ao conjunto de comportamentos daquele indivíduo. Uma outra possibilidade de se ter mania é através dos comportamentos supersticiosos, através dos quais as pessoas atribuem um determinado significado a um comportamento que precisa ser emitido. Caso contrário, acredita-se que algo aconteça ou deixe de acontecer.

Essas situações temporárias ou permanentes podem causar diferentes consequências na cadeia comportamental do indivíduo. Para muitos, será apenas uma mania, não trará nenhum outro tipo de consequência à vida diária. Porém, para outros, isso pode evoluir para o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) (APA, 2014; Cordioli, 2014).

Hoje, com a facilidade de acesso ao conhecimento, muitas pessoas se informam a respeito e ficam em dúvida se o seu comportamento refere-se a um conjunto de manias ou ao transtorno. E como fazer essa diferenciação? É importante que saiba que pode continuar checando se a porta está devidamente trancada, a diferença está no fato de você não conseguir chegar ao seu compromisso porque não conseguiu sair de perto da porta enquanto não verificou por “x” vezes ou “y” tempo, ou até mesmo não conseguiu sair de perto da porta.

porta-abrindo

Em relação à escrivaninha, em alguns momentos, principalmente quando se trabalha com papéis, o mínimo de organização pode ser altamente útil para a realização deste trabalho. Mas se você não consegue iniciar ou finalizar uma atividade se tudo não estiver alinhado adequadamente e isso se faz por repetidas vezes, o que leva a não conseguir realizar o trabalho necessário ou entregar nos prazos, pode ser um indício do transtorno.

As roupas devem ter alguma organização dentro do armário, pois isso pode facilitar a escolha do que utilizar. Porém, se a pessoa não consegue se vestir se estiver fora de ordem ou não consegue escolher, talvez precise rever se isso é apenas uma mania.

Há situações no cotidiano em que a aparente mania pode ser altamente reforçada. Isso acontece muitas vezes em determinadas atividades profissionais. Quem trabalha, por exemplo, com uma atividade ligada a departamento financeiro, precisa emitir vários comportamentos de checagem para ter certeza que os controles estejam adequados. Mas isso não deve fazer com que a sequência deste trabalho seja interrompida. Pois aí, se poderia afirmar que a conferência passou de algo necessário para algo até, de certa forma, patológico, pois não permitiu acabar a sequência necessária.

Quem trabalha com vendas, principalmente com acesso ao consumidor final, também precisa manter o seu estoque com um mínimo de organização para que seus produtos sejam encontrados sempre que solicitados. A desorganização, nesse caso, além de dificultar o acesso ao material, pode dar a impressão ao consumidor final de um comércio pouco agradável para ser frequentado.

Lembre-se: não se baseie apenas nas informações de acesso fácil e rápido, não queira fazer o seu próprio diagnóstico. É necessário procurar um profissional adequado (psiquiatra ou psicólogo) e este, após uma avaliação detalhada, com os materiais próprios para esta finalidade, poderá lhe dizer se você tem o TOC ou se é apenas um daqueles indivíduos que tem comportamentos de mania de certa forma mais intensos que outros.

Contato: ana@gcrescer.com.br

Referências

American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Trad. Maria Inês Corrêa Nascimento. Porto Alegre: Artmed.

Cordioli, A. V. TOC: Manual de terapia cognitivo-comportamental para o transtorno obsessivo-compulsivo. 2a Edição. Porto Alegre: Artmed.

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