Entre em contato 41 3014.7749

Publicações

Battlestar Galactica

Psic. Felipe Miranda Barbosa (CRP 08/19159)

Originalmente lançada em 1978 nos EUA, a série de televisão que foi sucesso na década de 80, Battlestar Galactica (BSG), foi relançada em 2003 e foi ao ar durante quatro temporadas (2003-2008).

A série de Sci-Fi (ficção científica) conta que os humanos surgiram em um planeta distante chamado Kobol, em um passado longínquo. Com o tempo, esse planeta não pôde mais suportar a vida e os humanos, organizados em treze tribos – sendo que uma se perderia das demais (insinuando que esta seria nossa cultura atual), e tiveram que procurar outro planeta, em outro sistema solar. Milhares de anos depois, as 12 tribos instaladas em novas colônias, viram a tecnologia avançar muito e a inteligência artificial usada pelos humanos ganhou status de forma de vida e consciência própria (inteligência artificial); os Cilônios (robôs autoconscientes com inteligência artificial avançada) se revoltaram contra seus criadores por achar que estes não davam valor à sua existência. Os Cilônios (assim chamados em português), acreditavam em um Deus único (monoteísmo) e os Humanos em vários (politeísmo), causando conflito entre suas culturas.

Os Cylons (em inglês) então executaram um plano de destruição em massa que reduziu a Humanidade (cerca de 12 bilhões de pessoas) a alguns poucos milhares de sobreviventes, detonando uma guerra nuclear em todas as 13 colônias. Infiltrados nos sistemas de defesa de última geração da humanidade, os Cylons desativaram todas as defesas construídas nos últimos 50 anos (desde a última guerra entre os humanos e Cylons). Sem alternativas, os sobreviventes espalhados pelo espaço se uniram a única nave de defesa que ainda funciona desde a última guerra, a Battlestar Galactica.

Sob a liderança do Comandante Adama, os sobreviventes decidiram procurar pela lendária décima terceira tribo, que havia deixado Kobol antes das outras doze e havia se dirigido “a um planeta brilhante conhecido como Terra”.

Durante quatro temporadas, assistimos a jornada do grupo de sobreviventes lutando para fugir dos Cylons que estão em seu encalço e lutando entre si por poder e sobrevivência. Em meio a tantas perdas, a humanidade se vê liderada por Laura Roslin, então ministra da educação de uma das colônias, mas que passa ao cargo de Presidente dos sobreviventes como único membro da administração das colônias viva. Laura percorre todas as temporadas em disputa direta com o Comandante pela manutenção da democracia enquanto Adama apoia o regime militar. Em meio à estas disputas está o Dr. Gaius Baltar, o cientista mais brilhante das colônias e que sobreviveu graças a sua relação com a Cylon Número 6, uma dos 12 Cylons hibridos que possuem feições, sensações e sentimento humanos.

Há dois tipos de Cylons: os de natureza bruta, estruturais, verdadeiros robôs de guerra, máquinas de metal que se encarregam do trabalho sujo de exterminar humanos. E há os Cylons hibridos que são diversas cópias perfeitas de uma dúzia de “modelos” de seres humanos. Estas cópias são tão perfeitas que, algumas delas, sequer desconfiam que são cylons adormecidos prontos para despertar em condições favoráveis como parte de um plano de dominação e exterminação da raça humana. Os híbridos foram infiltradas nas colônias muito antes do ataque cilônio e, por consequência, algumas destas cópias fazem parte da frota de sobreviventes, inclusive em meio à tripulação da própria Galáctica.

Além de todos estes ingredientes, Battlestar Galactica traz ainda incríveis cenas de combate espacial entre naves, missões de reconhecimento, batalhas campais, disputa de eleições, golpes políticos, religião, amor, esperança, ódio, prepotência e tirania. Uma série que se relaciona com nossa sociedade atual, todas as disputas políticas, igualdade, tirania, religião e sentimentos que nunca estiveram tão em evidência na disputa da humanidade para sobreviver como vemos exemplificado no diálogo da série:

Capitão Adama: — Eu lhe chamei aqui para descobrir por que os cylons nos odeiam tanto.
Mulher cylônica: — Eu não tenho certeza de que sei como responder isso. Quero dizer, ódio pode não ser a palavra certa.

Capitão Adama: — Eu não quero discutir semântica com você. Eu só quero saber por quê?

Mulher cylônica: — É aquilo que você disse na cerimônia…antes do ataque quando a Galáctica estava sendo retirada do serviço. Você fez um discurso que soou como… se não tivesse sido aquele que você tinha preparado. Você disse que a humanidade foi uma criação falha. E que as pessoas ainda matam umas as outras por motivos insignificantes, inveja e ganância. Você disse que a humanidade nunca se perguntou por que merecia sobreviver… e, talvez, vocês não devam.

A série traz todos os conflitos da humanidade para a tela, a busca pela sobrevivência, por poder e conhecimento ao mesmo tempo; os Cylons em busca da perfeição como indivíduos únicos, ao ponto que passam a sentir e sonhar como Humanos, e a humanidade lutando para manter seus princípios básicos, os direitos humanos e os comportamentos que a fazem ser chamada de humanidade.

Os humanos se matam uns aos outros, matam suas criações e tudo e a todos em seu caminho; a ficção não foge da realidade e a Psicologia Forense se encarrega de analisar, apurar e explicar toda e qualquer interação da humanidade com o crime, todos os comportamentos considerados “criminosos”. Como uma das áreas mais aclamadas do momento, cresce o número de psicólogos interessados nesta área, mas para trabalhar neste campo, é necessário profundo conhecimento teórico e prática apurada, além de aprimoramento constante e contato com seus pares das diversas áreas em interface com a lei.

Por último, é bom mencionar que a série disponibilizou episódios online entre todas as suas temporadas, lançou dois filmes com conteúdo entre temporadas com entrada gratuita nos cinemas americanos, teve uma série contando seu prólogo, Caprica (2009-2010), possui seu próprio jogo de tabuleiro vendido mundialmente e está para lançar uma nova série na televisão (Helix) e um filme para os cinemas mundiais reiniciando sua história.

Contato: felipe@crescercomafeto.com.br

Deixe aqui seu comentário Seu endereço de email não será publicado