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Criando Meninos para Pais e Mães de verdade

Me. Leticia Felipe Nunes (CRP 08/17223)

Quem tem filhos, hoje, se preocupa a todo momento. Os pais gostariam muito de entendê-los e de ajudá-lo se se preocupam em como ensina-los a serem amáveis, competentes e felizes. “Criando Meninos” discute, de forma clara, as questões mais importantes sobre o desenvolvimento de um homem, do nascimento à fase adulta.

Os meninos não crescem todos de maneira suave e uniforme. Não basta alimentá-los, vesti-los e em uma manhã eles acordam homens feitos. Existem alguns pontos para se considerar, como Steve Biddulph, psicólogo britânico, escreve em seu livro repleto de orientações práticas, considerações a respeito do convívio com os meninos para que qualquer um que tenha essa convivência se surpreenda com suas mudanças, apesar de suas alterações de humor e energia que apresentam em ocasiões diferentes. A questão é entender o que fazer e quando fazer.

Na história, as famílias empregavam todos os recursos possíveis na educação dos filhos, mas acreditavam que gastar dinheiro com as filhas seria “desperdício”. O menino recebia o melhor porque ele era o futuro da família. O nascimento de um garotinho era visto como uma bênção; o de uma garotinha era falta de sorte. Ainda hoje, na Tailândia e no Nepal, por exemplo, meninas podem ser compradas e vendidas e, em algumas regiões da China, os bebês do sexo feminino podem ser abandonados para morrer. Olivro relata sobre os meninos e suas necessidades especiais. Se queremos mais homens bons no mundo, precisamos começar a tratar os meninos com menos reprovação e mais compreensão. Para Steve Biddulph, os meninos é que são o sexo frágil nos dias de hoje. “Atualmente, as meninas são mais seguras de si, mais motivadas, mais aplicadas.” (Biddulph, p. 6, 2014)

Meninos e meninas se sobressaem de diversas maneiras e, portanto, não deveríamos tratá-los como se fossem muito diferentes. A mensagem de um século de feminismo é clara: nunca devemos limitar as potencialidades de meninos ou de meninas. Mas vale entender as tendências gerais que existem. A mais importante é que a maioria dos meninos se desenvolve mais devagar. Eles ficam atrás delas aproximadamente três semanas ao nascer e de seis meses a um ano aos 5 anos, em se tratando de habilidades importantes, como coordenação motora fina e linguagem. É por isso que, no livro, sugiro que eles entrem um pouco mais tarde na escola. Já, na fase da adolescência, as meninas entram na puberdade antes – um ou dois anos mais cedo, em geral.

Nos últimos dez anos, os brinquedos se tornaram mais voltados ao gênero – é como se tivéssemos voltado aos anos 50. Isso é muito limitador. As crianças precisam de brinquedos que não moldem as suas identidades, mas que as incentive a decidir por si próprias.

Para Steven os meninos passam por três estágios e, estas, são atemporais e universais:

  1. O primeiro estágio vai do nascimento aos seis anos – período em que o menino pertence principalmente à figura materna. Ele é o menino “dela”, embora a figura paterna exerça, também, um papel muito importante. Durante esse estágio, a meta deve ser dar amor e se­gurança, e fazer com que a “ligação” do menino à vida seja uma experiência calorosa e acolhedora.
  2. O segundo estágio inclui o período que vai dos seis aos catorze anos – quando o menino, num impulso que vem de dentro, começa a querer aprender a ser homem, e se volta cada vez mais para a figura paterna, com quem procura partilhar interesses e ativi­dades, embora a figura materna continue muito envolvida e o mundo exterior também exerça atração. O objetivo desse estágio é criar competência e habilidade, desenvolvendo ao mesmo tempo afabilidade e bom humor para que ele se torne uma pessoa equilibrada. Esta é a idade em que o menino se sente seguro e feliz com sua masculinidade.
  3. Finalmente, dos catorze anos à idade adulta – é o estágio em que o menino precisa de informação de mentores do sexo masculino para completar a jornada rumo à idade adulta. Mamãe e papai ficam um pouco de lado, mas devem cuidar para que bons mentores façam parte da vida de seu filho, senão, ele vai ter que contar com colegas despreparados para construir sua individualidade. O objetivo é adquirir habilidades, desenvolver responsabilidade e respeito próprio, fazendo parte, cada vez mais, a comunidade adulta.

Os três estágios nos mostram muito sobre o que fazer. Quando os nossos filhos estão lá pela metade da adolescência, os estágios nos dizem que precisamos buscar ajuda na comunidade – preenchida por parentes (tios e avós ou mestre/professor). Com muita frequência, os jovens passam a adolescência e o início da idade adulta em um perigoso estágio intermediário, quando encontram um modelo positivo ou quando se unem aos pares e esses são desviantes. Alguns simplesmente não crescem nunca.Os estágios, portanto, são importantes para decidir como agir em relação a eles.

As mães solteiras, também, educam meninos com sucesso há anos. Mas fica mais fácil quando elas encontram homens bons para conviver com seus filhos – sejam avós, tios, professores, com os quais criem vínculos duradouros e façam com que se sintam importantes.

Os meninos aprendem a serem gentis com os demais e a respeitar as mulheres. Em relação às meninas, eles mostram o quanto elas são importantes e especiais. Os pais ajudam meninos e meninas a serem mais aventureiros, a se divertir a explorar o mundo lá fora. Pesquisas mostram que um pai participativo melhora o desempenho escolar e as condições de saúde mental em geral da criança, assim como faz com que ela passe pela adolescência com segurança.

Portanto, o livro contribui para mostrar o quanto a modelagem e a modelação acontecem o tempo todo, durante todo o ciclo vital de qualquer indivíduo. Nesse aspecto, o livro é interessante para orientação de pais e professores, além de contribuir no processo terapêutico, com exemplos reais e orientações mais concretas para o comportamento dos meninos. Precisamos muito de exemplos, e bons exemplos, para que nossas crianças aprendam a se comportar como adultos melhores.

Referência:

Resenha: Biddulph, Steven. Criando Meninos Para pais e mães de verdade! São Paulo: Editora Fundamento Educacional Ltda, 2014.

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