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Frozen – Uma Aventura Congelante

Psic. Dra. Ana Lucia Ivatiuk (CRP 08/7292-8)

Os desenhos lançados a cada período de férias deixaram de ser direcionados ao publico infantil apenas há alguns anos. Os estúdios cinematográficos oscilam entre o lançamento de um desenho direcionado mais ao público feminino em uma temporada e na outra ao masculino. Porém essa estratégia não atinge apenas as crianças e, sim, aos adultos, pois cada vez mais os desenhos deixaram de apenas entreter os pequenos, mas passaram a fazer discussões sobre valores e relacionamentos, sendo que muitas vezes apenas os adultos conseguem realizar essa discriminação.

Os contos de fada tem muito espaço na nossa sociedade, principalmente quando eles são contextualizados a nossa realidade.

O desenho da Disney desta temporada, “Frozen – uma Aventura Congelante” (Frozen, 2014), foi baseado no conto de fadas “A Rainha da Neve”, do dinamarques Hans Christian Andersen.

Em Frozen, a filha caçula Anna (Kristen Bell/Gabi Porto), tem uma admiração muito grande por sua irmã mais velha Elsa (Idina Menzel/Taryn Szpilman), mas um acidente, que ocorreu ainda na infância, envolvendo os poderes especiais de Elsa, a qual tem o poder de transformar em gelo tudo aquilo que toca ou para onde direciona suas mãos, fez com que os pais as mativessem afastadas, porém vivendo no mesmo local.

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Elsa cresce isolada, afastada de tudo e de todos, privada de afeto. Mesmo após a morte dos pais, as duas cresceram isoladas no castelo da família, até o dia em que Elsa deveria assumir o reinado de Arendell. Em sua coroação, ela faz todo o possível para esconder suas mãos e nada causar, porém um novo acidente acontece e ela decide partir para sempre e se isolar do mundo, deixando todos para trás e provocando o congelamento do reino. É quando Anna decide se aventurar pelas montanhas de gelo para encontrar a irmã e acabar com o frio.

Os comportamentos das irmãs são bastante marcantes. Elsa sofre com seus poderes e a falta de controle sobre eles. O filme demonstra seus conflitos através de um figurino pesado e de tons escuros, mas quando ela parte de seu reino e vai viver distante de tudo e constrói o seu mundo baseado no gelo e no frio, seu figurino se transforma e ela fica mais a vontade consigo mesma e demonstra se sentir livre a partir daquele momento. Porém a sua liberdade custa o congelamento total de Arendell e inclusive do coração de sua irmã. Já Anna tem uma vontade imensa de viver e por muitas vezes tentou ultrapassar a porta que a separava da sua irmã. No dia da sua coroação, conhece aquele que seria seu príncipe encantando, porém com a partida da sua irmã, deixa-o para voltar-se aos problemas familiares. Além disso, ao contrário de Elsa, seu figurino, de leve, transforma-se em pesado, demonstrando a mudança do seu comportamento com o qual passa a ser muito corajosa.

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Aqui tem-se a lição mais profunda deste desenho: os contos de fada, de uma forma geral, demonstram que os gestos de amor verdadeiro que podem acabar com as maldições, são sempre provenientes dos relacionamentos afetivos entre príncipes e princesas. Em vários momentos do desenho se espera que isso aconteça, porém os príncipes tem uma função que pode ser considerada secundária, que é de reestabelecer o relacionamento fraterno entre as irmãs e este sim é que acabará com a maldição.

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Tem-se então a possiblidade de trabalhar as relações familiares e o quanto elas podem ser mais valorizadas nos dias atuais. Durante todo o desenho, fica claro o quanto as irmãs sofreram com a separação e que não receberam explicações sobre as atitudes tomadas por seus pais. Isso reafirma a importância que os adultos tem no desenvolvimento comportamental das crianças e que tudo que é explicado e orientado, pode fazer com que eles aprendam a lidar melhor com seus sentimentos e o que acontece ao seu redor.

Por outro lado o desenho tem uma ótima trilha sonora, pois o mesmo pode ser encaixado no gênero musical e pode fazer com que cada um ao assisti-lo passe por um momento de relaxamento e tranquilidade.

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Nem mesmo o lado de humor do desenho, deixa de trazer alguns valores e auxiliar ao reencontro das irmãs. O simpatico Olaf, representado por um boneco de neve, criado a partir dos poderes de Elsa, é o elo que as une a cena da infância. É bastante atrapalhado, porém demonstra que o “abraço quentinho” pode ser praticado mesmo em circustâncias que ele não seria tão agradável. Demonstra que o Afeto pode ser o caminho para o reencontro entre as pessoas e mesmo com o final do frio congelante consegue existir porque o seus gestos de carinho ultrapassaram essa barreira.

Enfim, tem-se aí não apenas mais um conto de fadas direcionado ao público infantil, mas um desenho em que muitos valores podem ser resgatados e desenvolvidos na vida diária e real, não apenas no mundo da imaginação e da fantasia.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=uKTz8y0pzL8Contato: ana@gcrescer.com.br

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