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Quando não ser maluco é a motivação para procurar a psicoterapia

Dra. Ana Lucia Ivatiuk (CRP 08/7292-8)

“Mas eu não sou maluco…”

A maior parte das pessoas se utiliza dessa afirmação, que é de certa forma um clichê, para justificar o fato de não procurar psicoterapia. A partir dessa afirmação errônea (maluco neste contexto refere-se ao medo de parecer diferente ou desajustado, incapaz de decidir a própria vida), gostaria de dialogar com vocês sobre o que é, para quem se destina e quando se deve procurar uma psicoterapia.
A psicoterapia é um processo que se realiza, em geral entre duas pessoas (também pode ser realizada em grupo ou no sistema familiar) com a finalidade de trabalhar as questões psicológicas que cada um pode ter em diferentes fases e momentos da vida. E o que são essas questões psicológicas?


Às vezes elas podem estar relacionadas com a simples necessidade de autoconhecimento, ou seja, de aprender um pouco mais sobre si através da interação com o outro, que nesse caso se configura na presença do psicoterapeuta. Em diversos momentos podemos sentir a necessidade de nos conhecermos um pouco mais.
Há momentos na vida em que ganhamos alguns feedbacks que poderiam nos motivar a buscar por esse tipo de auxílio, porém, em muitos casos, preferimos encarar esse tipo de situação não como um motivador para a psicoterapia, mas sim para deixarmos de conviver com aquela pessoa que acabou sugerindo que deveríamos nos conhecer melhor. Às vezes, a necessidade do autoconhecimento vem com uma mudança de ciclo vital que temos e fica evidente para se conseguir administrar adequadamente essa nova fase.
Por outro lado, podemos nos deparar com outro chavão popular “mas eu tenho meus amigos que sempre me ouvem, me entendem, compreendem e me ajudam a me entender”. Sim, isso também é importante nas nossas vidas. Os amigos, como o próprio nome diz, são amigos, há envolvimento afetivo e uma relação de cumplicidade. Muitas vezes, eles não conseguem separar os sentimentos envolvidos em determinadas situações, como um psicoterapeuta pode fazê-lo com seu conhecimento e preparo especializados.
Mas há momentos em que podemos estar com algum quadro comportamental alterado, demonstrado topograficamente por meio de um conjunto de critérios que podem levar a um diagnóstico de alteração de funcionamento mental, como estresse, ansiedade ou depressão, entre tantos outros. Nesses momentos algumas pessoas apresentam menor resistência ao processo psicoterápico, mas ainda assim podem não procurar, por acreditarem que vai passar, que tudo vai ficar bem, que essa é apenas uma fase difícil. Todos esses argumentos são válidos, mas para que deixar o que pode ser auxiliado por alguém com formação profissional, evoluir e se tornar uma questão maior ou mais difícil de ser resolvida? Problemas de saúde mental podem se cronificar e, em um momento posterior, podem exigir outros tipos de intervenção que não apenas a psicoterapia.
Também podemos nos deparar com momentos em que precisamos de um auxílio para nos orientarmos em relação a alguma tomada de decisão. Quando isso se refere a escolha profissional, parece que é um pouco mais fácil de as pessoas procurarem ajuda profissional, o que pode até se tornar a porta de entrada para o processo psicoterápico propriamente dito. Em outros, como, por exemplo, na paternidade e maternidade, em que os pais não recebem um manual sobre como educar e auxiliar no desenvolvimento dos seus filhos, a busca por um profissional já é um pouco mais difícil, pois muitos acreditam que a necessidade de um auxílio profissional pode simbolizar o seu fracasso como pais e não sua necessidade de aprendizado das novas funções.
Também é difícil de admitir que precisamos buscar ajuda de um psicoterapeuta ao se deparar com um problema de saúde e com a subsequente necessidade de desenvolver estratégias de enfrentamento, ou seja, para aprender a conviver com todas as mudanças de hábitos e comportamentos que um problema de saúde pode necessitar. Aprender a conviver com essas mudanças às vezes é mais difícil do que fazer o tratamento proposto. Por isso, o auxílio psicológico pode acelerar tal processo. Ainda assim, muitas pessoas até aceitam conversar com o psicólogo apenas no momento em que passam por um processo de internação, mas quando são orientados a dar continuidade no processo, esquivam-se da Psicoterapia, alegando falta de tempo ou problemas financeiros.
Acredito que, em relação ao que são as questões psicológicas, esses apontamentos possam ter auxiliado a refletirmos um pouco mais sobre o fato de que há sim, diversos momentos ou situações em que podemos procurar um auxílio psicoterápico e não termos a priori o rótulo de “maluco”. Mas isso somente acontecerá, de fato, quando a sociedade, e cada um de nós, evoluirmos para aceitar a psicoterapia como algo tão normal quanto ir ao dentista ou qualquer outro tipo de cuidado com a saúde. Precisamos aprender que assim como cuidamos da saúde física, devemos cuidar da saúde mental.
Portanto, sempre que achar necessário, procure um psicólogo mesmo que seja para fazer alguns questionamentos. Com certeza essa atitude apenas o tornará uma pessoa melhor!
Contato: ana@gcrescer.com.br

Sugestões de leitura sobre o tema:

Cordioli, A. V (2008). Psicoterapias. 3a Edição. Porto Alegre: Artmed.

Hermeto, C., & Martins, A. L. (2012). O livro da Psicologia. São Paulo: Globo.

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