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SOCORRO!!! Estou ou sou ansioso?

Ms. Juliana Bisatto Cardoso Bornia (CRP 08/07242-1)

SOCORRO!!! Estou ou sou ansioso?

Quem nunca escutou isso? ou “Sou muito ansiosa”, “Estava ansiosa e comi um monte” ou “ Eu fumo porque sou ansioso”.

Na verdade, diariamente nos deparamos com situações que nos geram ansiedade, e isso é interpretado pela maioria das pessoas, como uma coisa ruim, desagradável, que devemos nos livrar. Mas será que a ansiedade é a causadora de tudo isso? Ela é realmente ruim?

A ansiedade é necessária. Se ela faz bem ou mal, depende do seu nível e como o indivíduo vai lidar com ela.

A princípio, ela é benéfica, o desconforto causado por ela geralmente faz as pessoas mudarem, correrem atrás de melhorias. A ansiedade nos ajuda na adaptação, em situações que estamos passando pela primeira vez.

Mas ela não é uma característica da pessoa, ninguém é ansioso. A ansiedade é intrínseca ao individuo; é desencadeada quando avaliamos alguma situação como “ameaça”, como se fosse um sinal de alerta. Então “ Fico ansiosa quando…”.

Segundo Clark e Beck (2012), a genética e a aprendizagem da pessoa podem torna-lá mais propensa a ansiedade.

A ansiedade se caracteriza por uma inquietação, um desconforto, taquicardia, vontade de ir ao banheiro, suor frio, entre outros. Não necessariamente tendo todos estes sintomas ao mesmo tempo.

Situações como fazer uma prova, ir a uma entrevista de emprego, falar em público, esperar uma resposta de trabalho, etc., são favoráveis ao seu aparecimento. Situações novas em que a pessoa não está habituada, e que ela não sabe o que pode acontecer.

Está relacionado a expectativa que a pessoa tem daquela situação, o que ela acredita que vá acontecer. A ansiedade estimula uma perspectiva orientada ao futuro, envolve antecipação de perigo ou ameaça (Clark e Beck, 2012).

Um bom exemplo para esse tipo de situação é quando se vai fazer uma prova e antes mesmo de fazê-la se pensa que vai muito mal; devido a esse tipo de pensamento se sente mal, mas não é prejudicial, pois isso ocorre em períodos curtos.

A tendência, é a ansiedade ir diminuindo, a partir do momento que o indivíduo enfrenta a situação, deixando de ser algo novo, até o momento que o indivíduo não sente mais nada ao se deparar com a mesma situação.

Mas nem sempre é assim que acontece. Alguns enfrentam a mesma situação repetidamente e se sentem ansiosos todas as vezes, como se fosse a primeira vez. A pessoa que tem uma ansiedade um pouco mais elevada, esse desconforto pode se repetir sempre, o que não a impede de realizar a tarefa, mas faz buscar “recursos” para tentar minimizar os sintomas. Fugindo de algo aversivo em troca de algo que a de prazer. Aí que entra, muitas vezes, a comida, o cigarro, bebida, ou qualquer outro comportamento que possa exercer essa mesma função.

A maioria das vezes, a pessoa está tão condicionada, faz sem nem mesmo se dar conta disso.

O que fazer? Tentar identificar qual situação a deixa assim e criar habilidades para lidar com ela sem a necessidade de buscar “a comida”, por exemplo.

O problema aparece quando a ansiedade começa a interferir no dia a dia da pessoa, a impedindo de realizar suas obrigações, gerando sofrimento.

Quando a ansiedade está muito elevada, ela é improdutiva, dificulta a solução de problemas e até paralisa (Seligman, 1995).

O indivíduo começa a ter uma percepção errada, exagerada da situação, podendo até ter pensamentos catastróficos. Dificulta a capacidade de enfrentamento do indivíduo.

Por exemplo, há casos em que a pessoa enfrenta a mesma situação todos os dias, normalmente, mas a partir de um determinado dia, começa a apresentar sintomas que a impedem de fazer mais isso, gerando medo e insegurança.

Como pegar o ônibus; ela faz isso todos os dias, mas um dia se sente mal, começa a suar, se sente sufocado e obrigado a descer do ônibus. Outro exemplo pode ser o fato de ir ao trabalho, sentir uma dor de barriga e ter que voltar para casa.

Isso ocorre, geralmente, porquê a ansiedade está diretamente ligada ao nosso estilo de vida. A correria do dia a dia, preocupações, conflitos familiares e de trabalho; a falta de tempo e a insatisfação são fatores que contribuem para o aparecimento da ansiedade. Quanto pior for sua qualidade de vida maior a chance de se transformar em um transtorno.

Alguns casos únicos também podem gerar, como a morte de alguém próximo ou um assalto.

Quando a ansiedade se torna elevada pode, então, passar a ser caracteriza como um Transtorno. Entre os principais estão o Transtornos de Ansiedade Generalizada (TAG), o Transtorno do Pânico (TP), o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT), Transtorno de Ansiedade social e outros.

Indivíduos com transtornos de ansiedade tem uma qualidade de vida significativamente menor comparada com quem não tem o transtorno (Clark e Beck, 2012). Esse individuo pode faltar mais ao trabalho, ter problemas conjugais e até desenvolver depressão.

Em uma citação feita em Clark e Beck (2012) a presença de um transtorno ou mesmo apenas de sintomas ansiosos, podem estar associados a uma redução significativa na qualidade de vida, bem como ao funcionamento social e ocupacional.

Quando é necessário um tratamento, ele pode ser psicoterápico, farmacológico ou a combinação de ambos. Qualquer que seja a indicação, geralmente, a ansiedade tem boa resposta ao tratamento.

O importante é você discriminar a ansiedade e se perceber que ela esta muito freqüente e atrapalhando seu dia-a-dia e procurar um profissional.

Contato: juliana@gcrescer.com.br

Referências

Seligman, M. E. P. (1985). O que você pode e o que você não pode mudar. Rio de Janeiro: Objetiva.

Clark, D. ; Beck, T. A. (2012). Terapia cognitiva para os transtornos de Ansiedade. Porto Alegre: Artmed.

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