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Terapia de Risco

Resenha – Terapia de Risco (Side Effects – Steven Soderbergh, 2013)

Ms. Marina Beatriz de Paula (CRP 08/11431)

O filme conta a história de Emily Taylor (Rooney Mara) cujo marido, Martim (Channing Tatum), preso por crime financeiro, é solto depois de quatro anos na prisão. Emily passa a apresentar sintomas de depressão e após ter jogado o próprio carro contra a parede do estacionamento de um prédio, procura tratamento com o psiquiatra, Dr. Jonathan Banks (Jude Law).
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Ele propõe à paciente um tratamento medicamentoso que, segundo Emily, não está surtindo o efeito desejado e tem atrapalhado sua relação com o marido. Por recomendação da antiga psiquiatra de Emily, a Dra. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones), por insistência da própria paciente e também por ter ganhos financeiros da indústria farmacêutica, o Dr. Banks decide receitar Ablixa, antidepressivo ainda em fase experimental, mas muito divulgado na mídia. É importante ressaltar que o médico está com dificuldade financeira, sua mulher (Vinessa Shaw) está desempregada e também apresenta alguns sintomas de depressão.
Emily começa a sofrer alguns efeitos colaterais decorrentes do uso do antidepressivo Ablixa, como o título do filme sugere. Então, está colocado o impasse pois, por um lado, a paciente apresenta melhora considerável e consegue voltar a levar uma vida “normal”; por outro, há o efeito colateral do sonambulismo. Quando a paciente, sonâmbula, assassina o próprio marido, resta a dúvida: quem deve ser responsabilizado por isso? A própria paciente que cometeu o delito inconscientemente, o médico que prescreveu um remédio que mal conhecia, ou ainda, o fabricante das medicações, que oculta em suas propagandas alguns efeitos colaterais indesejados de seu produto?

O filme parece tratar de duas grandes indústrias: a farmacêutica e a mídia. No entanto, com um pouco mais de cuidado, pode-se perceber que Soderbergh nos chama a atenção para o capitalismo, a transformação da felicidade em mercadoria, em lucro, ao depender de ser proporcionada por antidepressivos. Diversos personagens, não apenas a protagonista, encontram conforto em comprimidos. Mas a trama, assinada pelo roteirista Scott Z. Burns, mostra algumas reviravoltas e vai esclarecendo que há algo de mais doentio na sociedade norte-americana do que apenas a depressão de um povo passando por uma séria crise econômica.

Trailer:

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